Opinião
O elogio de “Nós, os portugueses”
Escrito por António Alves    Quinta, 17 Janeiro 2013 00:00    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Nas últimas décadas, ao longo do atual sistema democrático, temo-nos deparado com discursos políticos de líderes que convictamente sabem o que é melhor para os portugueses. Muito facilmente, chegados ao poder, parece que deixam de ser portugueses e passam a estar imbuídos de um qualquer espírito salvífico, munidos sempre de uma aura e de uma energia mobilizadoras, como se  de repente fossem alimentados de espinafres, qual Popeye, que lhes impulsionam a visão de que “agora é que vai ser”. É com essa determinação que se têm dirigido às portuguesas e aos portugueses, como se estivessem de fora, empoleirados num sumptuoso everest a fazer de Zaratustra. “Caros Portuguesas e portugueses”… ora aí está! Nos últimos tempos, com o atual governo, pudemos ver bem este estado de espírito quando ouvimos expressões de que os portugueses se portaram mal, tendo vivido acima das suas possibilidades, que não podem ser tão piegas ou que são, convenientemente, o melhor povo do mundo. De outros quadrantes, ouvimos que os portugueses “aguentam, ai aguentam, aguentam!” ou que certos empresários não passam de ignorantes. Outros, ainda, se referem ao “nosso povo” acentuando a clivagem entre os maus e os bons portugueses como se nos quisessem dizer que, com a sua visão, os maus serão definitivamente eliminados e seremos finalmente todos irmãos. E é de clivagem que, de todos, estamos a falar. Um vazio enorme que acaba por ser preenchido pela Comunicação Social que vai procurando descodificar as várias ficções do exercício do poder, dando espaço a exércitos de comentadores - os americanos chamam-lhes “tomorrow morning put it back”- e a reportar as insatisfações de portugueses ao poder instituído e a outros portugueses. Esta tem sido a nossa “Polis”! E não é com ironia que o digo… é óbvio que temos assistido a uma fantástica evolução social face ao sistema que tínhamos antes. Mas quem são “eles? Porque esperámos mais “deles” do que de nós próprios? Porque nos deixámos convencer com as suas “banhas da cobra”? Porque teima em funcionar o paternalismo? Precisamos de dar mais atenção às raízes de que somos feitos e irrigar melhor a nossa participação nas comunidades onde crescemos, saber cooperar, interagir com o talento que no rodeia. Construir a democracia de baixo para cima. E um dia talvez tenhamos líderes que incluam no seu discurso  expressões como “nós, portugueses” ou “nós, portomosenses”.
 
Ano Novo – Hábitos Velhos!
Escrito por Júlio Vieira    Quinta, 17 Janeiro 2013 00:00    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Não é fácil ter a precessão correcta das nossas preferências, requer muito estudo e fidelidade a hábitos, princípios e convicções imutáveis. Mantendo a nossa tradição, o nosso fado ou fatalismo, de sermos cada vez mais iguais.
Depois de um ano intenso e tremendamente difícil, mas com grandes manifestações, sociais e culturais, sendo as festas de S. Pedro, com epicentro nas tasquinhas, o ponto alto. Em torno da boa febra, a nossa comunidade faz apelo ao espirito de comunhão, entre brancos e pretos, grandes e pequenos, novos e velhos, ricos e pobres, pais e filhos, amigos e inimigos, em perfeita harmonia.
Com tudo isto em cada ano, e a crise instalada, seria um desperdício de tempo e Euros, grandes ou pequenos festejos, no final do ano. O povo que não tem recursos para visitar outras paragens, prefere ficar em casa. Os novos, não gostam de festejar na sua terra, é sempre melhor alguns concelhos aqui bem perto. Os meios cotas, como eu, com filhos na fase do meio táxi, encontram na família e nos magníficos serões televisivos, uma forma ideal de se despedirem do velho ano, de preferência no sofá, para sair bem e entrar melhor - sentados.
Nem um foguete, assim mesmo, nem um foguete, com enorme respeito pelos seniores, que não querem saber de misérias e muito antes das 24 badaladas já encontraram o sono dos justos.
Ainda um dia gostava de ver, ouvir e sentir, de uma forma continuada na nossa terra, uma passagem de ano que fosse uma festa digna dessa noite. Que despertasse vontades adormecidas nas freguesias. Que evitasse, pelo menos parcialmente, a saída dos jovens na busca do que não acontece na sua terra. Que condicionasse o arrastamento dos pais, na obrigação de não perder o rasto dos filhos. Que atraísse alguma gente de fora, capaz de reconhecer em nós uma boa companhia e um bom motivo para conviver e nos visitar.
Espero que os produtores de fogo de artificio, que nós felizmente temos no concelho, não se reformem todos. Que o castelo não caía. Que as bandas da juventude e dos cotas, não desistam de tocar. Que as empresas de restauração não entrem todas em falência. Se assim for, um dia teremos a nossa noite, por muitos anos?
 
O quinto dia do ano novo
Escrito por José Batista de Matos    Quinta, 17 Janeiro 2013 00:00    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Naturalmente, entre dois dedos de conversa à volta de um café num estabelecimento comercial da minha cidade, a nossa cabeça dá voltas e reviravoltas para poder registar algo de plausível que é relatar a vivência, as peripécias, e ao mesmo tempo poder relatar pelo menos o barulho de crianças e hoje são muitas que nas mesas do café têm os seus gritos originais e próprios das suas idades!...
Eu, na minha mesa, no canto da sala concentro-me o melhor que souber para reflectir sobre o actual meio ambiente e sobretudo, tirar o máximo da situação encontrada… É verdade, esquecia-me de dizer que estou a escrever na língua de Camões e 99,9 por cento  falam na língua de Moliere … Assim sendo só me oiço a mim e a escrita é mais fácil e concisa. Só uma câmara de televisão poderia dar a perceber esta situação, que me está a dar um prazer imenso – porque é uma gota de água no oceano da língua francesa!...
Estas situações insólitas não são raras na minha vida, aqui em Paris que desde há 50 anos tem sido um alfobre de interrogações, de sonhos, e de testemunhos da vida quotidiana.
Hoje, cinco dias depois de começar o Ano Novo  o céu está simplesmente negro, naturalmente enevoado e com o costumado nevoeiro parisiense mas não faz mesmo nenhum mal uma vez que estou aqui dentro  com a taça do tal café  que me parece ser da marca portuguesa Delta e mais de 99 por cento não olham para o céu que como disse hoje não existe!... É também assim, este país que também é meu, sim senhores, também é meu. ! Eu sei que Portugal fica ciumento mas os amores dispersos produzem sempre ciúmes! É muito mais fácil viver com os sobressaltos do ciúme, uma vez que nos trazem sempre acordados tanto no amor como na liberdade, solidariedade e na Paz!
Amanhã ainda não se sabe o que vai acontecer mas hoje poderemos afirmar com veemência  que hoje foi um dia extraordinário, com uma Paz excepcional, frutífera e amorosa. É o que conta cinco dias depois de começar o ano de 2013.

 
Serra de Albardos
Escrito por Vitor Barros    Quinta, 17 Janeiro 2013 00:00    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Entramos num novo ano com as expetativas muito reduzidas, talvez mesmo inversamente proporcionais ao número elevado de pedidos de inconstitucionalidade do Orçamento de Estado para 2013, que deram entrada no Tribunal Constitucional. Ele foi o Presidente da República, foram os diferentes partidos da oposição e foi o Provedor da Justiça.
Serão todos da oposição, como sugere Santana Lopes ao afirmar que o Presidente da República se ‘encostou à oposição’?
Paulo Portas também será da oposição, ao defender mais tempo e uma redução dos juros, condições que a troika concedeu recentemente à Grécia?
É certo que, de acordo com a sondagem/barómetro i/Pitagórica, apenas 1 em cada 10 inquiridos faz uma avaliação positiva do governo. Apesar desta ‘maioria’ oposicionista, Gaspar lá vai levando a ‘sua carta a garcia’, provocando Cavaco Silva, provocando o Tribunal Constitucional, provocando os interlocutores da concertação social (foi a TSU, agora são as indemnizações por despedimento).
Objetivamente as políticas de Gaspar irão levar a um grave conflito social num país totalmente arruinado. Até quando o Sr. Presidente da República estará disposto a permitir isso? Não nos esquecemos do que afirmou na sua mensagem de ano novo: “temos urgentemente de pôr cobro a esta espiral recessiva, em que a redução drástica da procura leva ao encerramento de empresas e ao agravamento do desemprego”.
Não estamos em condições de adicionar à crise económica, social e financeira uma crise política. O Sr. Presidente chamou a atenção para esse facto. Percebe-se, porquanto o principal partido da oposição, a fazer fé na sondagem, está longe de ter a sua liderança bem consolidada.
Logo não restam muitas alternativas. Para que se incremente o consumo e o investimento torna-se necessário ganho de confiança. Para tal o governo deve abandonar o discurso do ‘custe o que custar’, deve tentar negociar com a troika e não pode cair na tentação de, caso o Tribunal Constitucional vete algumas das normas do Orçamento de Estado, as substituir por outras de legalidade duvidosa.
Já depois de ter escrito o que antecede, surgiu o estudo encomendado pelo governo ao FMI sobre o corte dos 4 mil milhões de €. Perante este estudo, já entusiasticamente defendido pelo secretário de estado da presidência Moedas, perdi todas as ilusões. Acho muito sinceramente que mais vale apagar a luz e irmo-nos embora.
 


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